domingo, 17 de maio de 2009

Melhores Álbuns - 1991



1991 foi o ano do Nirvana. Nevermind é um grande álbum, um dos mais importantes da história e eu o adoro. É realmente um álbum muito bom. Tanto que estava aí na listinha de melhor álbum de 91 até o último minuto. Até que o ano de 91 foi sorteado e fiquei pensando, pensando. Nevermind é muito bom, mas havia um álbum melhor.

Os Pixies tiveram uma breve existência entre 87 e 91. Seu primeiro álbum foi em 88 e, a partir de então, eles lançaram um álbum novo a cada ano. Foram quatro álbuns. Todos ultra bons, ultra elogiados. Mas é bem provável que o menos elogiado seja esse Trompe le Monde. Não sei o porquê. Para mim, é junto com o Surfer rosa, o melhor. De certo modo essa dupla é um tanto arquétipa. O Surfer Rosa, o de estréia, é mais espontâneo, natural. Este, que é o último, é mais trabalhado, sofisticado, variado. E mais violento. Frank Black grita aqui como em nenhum outro lugar, as guitarras estão mais trabalhadas. E mais romântico e sensível, de alguma forma. A música Sad Punk simboliza esse clima do álbum todo. É o Pixies no auge da forma. Foi uma banda sem declínio, sem dúvida. Dá a impressão de que podiam fazer o que quisessem com a guitarra, inclusive tocar as músicas dos outros melhor que a versão original, como é o caso de Head on do Jesus and Mary Chain. Adoro esse álbum. Por isso dou de ombros para o mundo inteiro. Não posso mentir, esse é o meu álbum de 91.

Mas do jeito que o Kurt era fã dos Pixies, garanto que nem mesmo ele pode discordar de mim.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Não é que agora estou achando bonito escrever sem justificar. O Blogger que retirou essa opção de mim! Maldito blogger amarrando mixaria...
Maconha. Que palavra feia! Maconha. Sou contra a legalização da maconha apenas porque se ela fosse legalizada ficaríamos um mês ou mais ouvindo e participando de discussões onde a palavra “maconha” seria recorrente. E depois corria o risco dela se popularizar e então ouviríamos “maconha” com a mesma freqüência que “cerveja”. “Cerveja” é uma palavra bonita. Cerveja. Maconha. Maconha me lembra inconha. Tem uma cidade no Espírito Santo que se chama Inconha. Se o nome da cidade é inconha, quem sou eu para contestar? Descobri isso numa dessas viagens ao litoral capixaba que nós mineiros tanto gostamos. O que é um mistério, porque o Rio de Janeiro está a mesma distância mas preferimos Guarapari, Vila Velha, Piúma ou Inconha. Um primo meu certa vez namorou uma capixaba. “Certa vez” é ótimo porque fica parecendo algo que ocorreu há dez anos, mas eles devem ter terminado a menos de um ano. Se não me engano essa menina era de Vitória. E lá havia preconceito contra mineiros. Mineiro é brega, sem educação, houve o som no talo, é chato, é bêbado, é desonesto, pilantra, viado, corno, filho da puta. O que é um dos preconceitos com mais boa razão que conheço. Também não gosto de mineiros. Mudei pro Rio e conheci cariocas, mas também não gostei deles (com exceção de uma). Não gosto de pessoas em geral. Pessoas são chatas, são sempre um problema. Somos todos como o agrimensor K. chegando numa cidadezinha e perturbando a ordem. Deslocamos as empregadas que agora tem que dormir no chão, outros nos oferece um emprego bobo e inútil num colégio, apenas para nos fazer um favor. Ficamos sem graça, sorrisinhos amarelos, mas nada podemos fazer. Pessoas são chatas, eu dizia. Se você é uma pessoa, me desculpe, mas alguém tinha que dizer isso na sua cara. Aprume -se! Tome jeito! Ninguém mais suporta você! Pessoas, por exemplo, ocupam espaço. Quer coisa mais irritante que ocupar espaço? Imagina, você compra uma passagem noturna num ônibus para uma viagem estadual. Você entra todo distraído no ônibus e, quando menos espera, tem uma pessoa do seu lado! Uma pessoa que ocupa espaço! Podia ser tanto uma idéia ou o ar! Dizem que o ar ocupa espaço, deve ser verdade, mas ele é educado e se retira para você passar. Pessoas não, porque pessoas, além de ocuparem espaço, são sólidas! Se ao menos fossem gasosas como o ar! Eu gosto do ar. Gosto de sair de casas de show lotadas, um pouco suado, e então sentir o ar gelado batendo. Ou então sair de casa de noite e sentir o ar frio da madrugada. Muito legal fazer isso, principalmente em roça. Aquele filme, o Beleza Americana, tem uma cena muito boa em que se fala da beleza do ar antes da tempestade. De fato é muito bonito o ar. Ele é invisível e ainda consegue ser bonito, ao contrário da maioria das pessoas, que são visíveis e feias. Por isso não consigo entender pessoas que pedem um pastel de queijo e reclamam dizendo que aquilo que foi oferecido, na verdade, é um pastel de ar. Deveriam estar felizes, gratas! Eles são pessoas, meu Deus! Quem são eles para reclamar do ar!? Meu pai, que é o Anaxímenes de Mileto nas horas vagas, me disse uma vez, quando era pequeno, que Deus era o ar. Estava em todo lugar e ninguém o via. Todos o ignoravam e sem ele ninguém vivia. Sim, Deus é como o ar. Deus criou o ar a sua imagem e semelhança.

Melhores Álbuns - 1975



A história é conhecida: Bob Dylan toma um pé na bunda de sua esposa e tenta superar isso gravando esse álbum. O álbum, porém, não possui a auto-indulgência que costuma caracterizar tais tipos de álbum. Não é um álbum feliz, mas está longe de ser desesperado ou niilista. Parece antes representar o primeiro sorriso depois de um período de amargura (e se lembrarmos que os discos imediatamente anteriores a este não foram bem aceitos pela crítica, esse período de amargura é ainda mais significativo). Se é bom? Bem... é meu álbum favorito dos anos setenta. E sim, entre os que conheço, é meu álbum favorito do Dylan.

Li certa vez num blog uma classificação dos tipos de fãs de Dylan através do álbum preferido. Infelizmente não me lembro mais de nenhuma dessas classificações, com exceção de uma.Se o Blood on Tracks é seu Dylan favorito então você é um não-fã de Dylan, alguém que gosta de uma coisa ou outra, aqui e ali. Há uma certa razão nisso. Não sou um dylanmaníaco. Por exemplo, não consigo entender toda a empolgação com o Highway 61 revisited, quase sempre apontado como o melhor Dylan. Mas gosto muito do Blonde on Blonde. Sou mais para um fã condicional de Dylan. Li outra vez em algum site, que depois de escrever sua canção mais famosa “Like a Rolling Stone”(música do acima citado Highway 61 Revisited), Dylan se achou como compositor. Pela primeira vez na vida ficou completamente satisfeito com uma de suas canções. Segundo ele próprio, Dylan tinha mais interesse em literatura que na música e queria ser lembrado como um Shakespeare com violão e, através dessa música, ele havia conseguido isso (quer dizer, faz tempo que li isso, não tenho certeza; mas vamos fingir que isso é verdade senão o texto pára). Isso é o que me irrita no Dylan, sua tendência em transformar música em literatura. Blood on Tracks é um álbum para não-fãs de Dylan porque é um álbum que essa característica está, senão ausente, ao menos bem mais resumida que no normal. Além disso, Dylan despensa as grandes bandas que sempre o acompanhava em sua fase elétrica, tocando com um número bem menor de músicos. E é isso que me espanta. Dylan é tão genial, mas tão genial que quando ele se põe fora de seu elemento, mesmo quando resolve ser um não-Dylan, então alguém que não é tão fã assim de Dylan, como eu, tem de dar o braço a torcer e concordar: trata-se de um dos maiores álbuns da história do rock.

E além de tudo tem um dos melhores xingamentos da história do rock também, em Idiot Wind:

“Idiot wind, blowing every time you move your teeth,
You're an idiot, babe.
It's a wonder that you still know how to breathe.”

Mas minhas músicas preferidas mesmo são as solos, You’re gonna make me lonesome when you go e Shelter from the storm. Essa última é minha canção de amor favorita. Um pedacinho dela:

Suddenly i turned around and she was standin' there
With silver bracelets on her wrists and flowers in her hair.
She walked up to me so gracefully and took my crown of thorns.
"come in," she said,
"i'll give you shelter from the storm."

sábado, 9 de maio de 2009

Não é que sou tão envergonhoso assim. Meu computador quebrou =(

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Calmo, tranqüilo e feliz, assim eu escrevia nesse blog. Minha namorada então me mostrou uma ferramenta nova, o feedjit. Permite-me ver quem acessou o blog. Instalei e, surpresa das surpresas, descobri que as pessoas vem ler meu blog. Pessoas que não conheço. Não são muitas, umas cinco por dia. A maioria pelo google, procurando resenhas de discos. Mas alguns vem diretamente ao meu blog. Achei que ia gostar de saber dessas coisas e por isso instalei a ferramenta. Mas a verdade é que me deu uma vergonha danada. Sinto como se tivesse sido pego cantando e dançando sozinho no meu quarto. Então, quando a vergonha passar, volto a blogar.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Melhores Álbuns - 1980




Conheci Joy Division pelos seus singles mais famosos: “Love will tear us apart” e “Atmosphere”. Um tempo depois uma amiga minha me emprestou este álbum. Minhas expectativas eram grandes e específicas. Grandes porque esperava um dos melhores álbuns de todos os tempos, no que não fui frustrado. Específicas porque esperava ouvir o álbum mais sombrio e deprimente da banda mais sombria e deprimente de todos os tempos. Por que? Joy Division é um tanto sombrio, a começar pelo nome. Por trás da aparente inocência, “Divisão da alegria” era o nome que os nazistas davam para uma certa região de um campo de concentração onde as judias se prostituíam em troca de comida. A referência a movimentos fascistas continua nas letras e também no visual da banda, a ponto de alguns acharem que os integrantes da banda eram realmente nazis. Besteira. Ian Curtis, o vocalista, sofria de epilepsia e de vez em quando sofria ataques reais tocando nos shows. O jeito que ele inventou de dançar, balançando os braços freneticamente (dança depois copiada pelo Renato Russo) era uma maneira de zombar da própria doença. E dessa banda um tanto sombria vinha o Closer. O álbum foi gravado na segunda metade de março de 1980 e lançado em julho do mesmo ano. Nesse intervalo, em maio de 1980, Curtis se enforca com um arame. A capa do álbum é uma fotografia de uma tumba italiana.

Bem, o ponto é que, um tanto surpreendentemente, essa minha segunda expectativa foi frustrada. É claro, uma banda como Joy Division não conseguiria produzir um álbum ensolarado. Mas Closer está longe de ser um paradigma de álbum deprimente e triste. Sim, é certo que é o álbum de um vocalista à beira de se matar, mas o restante da banda... A bateria é bastante vigorosa, os músicos transmitem vida e força. Não, a banda não está morrendo com seu vocalista e o álbum aponta algumas vezes para aquilo que viria a ser o New Order (se você é um Zé Pangó a ponto de não saber, o New Order é a banda formada pelo restante do Joy Division, após o suicídio deste), como na faixa Isolation. Embora todas as letras sejam opressivas, apenas Colony e as duas músicas finais têm aquela atmosfera pesada e mesmo funerária que caracterizam os singles citados aqui logo no início. E não se pode negar, são o grand finale do álbum. Mais que isso, o Joy Division mostrou como a música com aqueles teclados estranhos da década de 80 pode ser realmente boa. A impressão que tenho ao escutar esse álbum é que todo o começo dos anos 80 foram uma tentativa muito mal-sucedida de imitar o Joy Division. O Joy Division foi a banda que mais fez falta no mundo e a música da primeira metade da década de 80 não seria tão ruim se Curtis não tivesse se matado.