domingo, 14 de junho de 2009

Lembram-se daquele povo que se alimentava de luz? Por onde anda agora? Ah! seus céticos! Eu acredito, é claro. Há tanta coisa esquisita no mundo. Mais uma não me espantaria. E depois eles eram sempre tão magros, deve ser verdade. Porque luz não engorda, vocês sabem, luz é light. Será que é gostoso comer luz? Deve ser quentinho, ao menos. Talvez caramelada ou com sal, ou salpicada de uvas passas, ou misturada com rum branco, gelo e limão (alguns filisteus misturam com vodka, não entendem nada), luz defumada fatiadinha com queijo provolone, champignon e salaminho numa pizza, salada de fruta e luz, bolinho de luz (a especialidade da vovó). Eu sempre filava o sanduíche de luz, aspargo, alface e maionese que um colega meu trazia para o recreio. Mas o tradicional mesmo é o suco de luz com clorofila. Eu prefiro a luz incandescente, acho o gosto da fosforescente meio artificial, sei lá. Não se come luz no Ramadã. Uma pena, pois isto impediu os mulçumanos de serem fosôfagos. Uma coisa boa da fosofagia é que é fácil. Se você estiver com fome, basta ir até o quintal de sua casa, deitar no chão, abrir a boca e comer o sol. E o melhor de tudo é poder pegar um bronze enquanto almoça.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Melhores Álbuns - 2005



Uma vez, pesquisando coisas sobre o Animal Collective na internet, descobri que o Panda Bear, um dos líderes da banda, era formado em religião. Estranho, não, um roqueiro formado em religião? Qual foi então minha reação? Surpresa? Espanto? Nada disso, foi um eu já sabia! Ouvindo esse álbum, relacionava-os com místicos medievais dizendo “Eu quero tudo! Eu gosto de tudo! EU AMO TUDO! Eu quero mais tudo!” As músicas são de uma energia e alegria impressionantes, e há vários momentos em que eles parecem querer colocar todos os sons possíveis, tudo de uma vez, numa explosão um tanto mística. Talvez o álbum todo possa ser sintetizado numa frase gritada em The Purple Bottle: Silence is a bore! Não é à toa que a capa desse álbum contém um tanto de crianças. À sua maneira, esse álbum é também uma criança sempre correndo, sempre fazendo algo, agitada de uma maneira incompreensível e inacreditável. Se você olhar a estrutura do álbum verá lá, são nove músicas, mas a terceira, a quinta, a sétima e a oitava faixas são como intervalos. Não que sejam más músicas (pelo contrário, são prazerosas como uma boa dormida), mas são intervalos em que se descansa, como crianças que dormem logo que ficam quietas. É que o corpo não agüenta tanta alegria, tanta emoção, tanta novidade... é preciso descansar também, dormir; por que amanhã tem mais.

É comum ouvirmos grandes álbuns com músicas melancólicas ou mesmo depressivas. Há também várias grandes bandas agitadas, com som animado. Alguns outros são mesmo histéricos. Mas verdadeiramente feliz? Só conheço o Animal Collective, nesse álbum e no posterior, o também ótimo Strawberry Jam. Nesse ele canta o amor, no outro a infância. Mas a comparação com a criançada ainda se mantém, pois o amor deixa todo mundo meio criança, não? É como se descobríssemos o mundo de novo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Melhores Álbuns - 1985




“Inclassificável”; eita palavrinha para aparecer em resenhas de álbuns. Mas creio que se houvesse uma lei que permitiria o seu uso apenas uma única vez em resenhas, ela seria usada para caracterizar o Sr. Waits.

Por que convenhamos... o que é isso? Isso não é rock, não é jazz, não é tango, não é folk, não é blues. Talvez o mais próximo de uma classificação possível seja “música de bêbado”. Parece que estamos num filme antigo, em techinocolor ou preto em branco e entramos numa taberna. Há uma briga ao fundo, na sinuca, e, ao lado, um bando de marinheiros canta músicas; as felizes são cantadas em coro, as tristes por um único marinheiro, e as músicas que eles cantam são as desse álbum. E de que ano é isso? O título do post indica a data certa, mas se não o soubessemos como advinhar? Não há nenhuma dica... poderia ser de 65, 85, 2009, poderia ser de 2085 e há algumas músicas que, se transferidas para uma versão acústica, poderiam passar tranqüliamente por uma coletânea de canções búlgaras do século XVII. De certo modo é como se o álbum tivesse criado uma nova categoria de música que não foi seguida por ninguém mais, toda uma infinidade de sons a percorrer e que nunca serão percorridos. O mais legal é que, apesar de toda esquisitice, o álbum é bem acessível. Dá até para dizer que as músicas foram feitas para se cantar junto.

A maioria das músicas desse álbum é genial, mas vou ter que destacar uma em especial, que é uma de minhas preferidas de todos os tempos: Tango till they’re sore.
Há uma certa idiotia geral contaminando cada pedaço do espaço público no Brasil. É tanta idiotia que, sinceramente, não consigo acompanhar. Não tenho nem a velocidade nem a força necessária.

Isso é bem exemplificado pelas últimas falas do infeliz Minc. Tudo começou quando esse boçal subiu num caminhão para discursar e chamou os agricultores brasileiros de “vigaristas”. Isso gerou uma onda de protestos da chamada bancada ruralista no congresso. A isso ele respondeu:

“O fato de os ruralistas estarem preocupados com a minha permanência do ministério me faz achar que estou no caminho certo”

E logo depois zurrou isso:

“Que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula, e não pelos ruralistas. Alias, se tivesse sendo comandado pelos ruralistas, não ia ter Bolsa Família, ia ter Bolsa Latifundiário”

Minc é simplesmente um sem-noção, um cego, alguém que entendeu tudo errado a vida inteira e agora está velho demais para mudar ou mesmo reconhecer o erro. Ao comprar briga com um setor de vital importância para a economia do Brasil, e comprar briga não contra um comportamento desse setor, mas contra a natureza mesmo desse setor composto por “vigaristas”, por bússolas que apontam para o sul, egoístas interesseiros e, vileza das vilezas!, não apoiadores do programa bolsa-família e do governo Lula, Minc apenas demonstra como a cegueira ideológica pode fazer alguém ultrapassar os limites da estupidez humana, tornando-se assim uma espécie de super-idiota, alguém cuja burrice só pode ser explicada por super-poderes ao contrário.

Vejam, o debate entre agricultores e ecologistas sobre a limitação do que pode ser desmatado na Amazônia e sobre que condições isso deve ser feito é um debate seriíssimo, dificílimo e importantíssimo tanto para a agricultura, economia e ecologia do país. Merecia, portanto, um defensor do lado do meio ambiente mais preparado.

Quando se desqualifica o adversário, como fez Minc, dizendo que a contrariedade de tal setor é sinal de acerto, você está negando o debate. Você está dizendo, com todas as letras e acentos, “Eu estou certo, vocês estão errado. Calem-se e cumpram minhas ordens.” O viés autoritário é expresso pelo “o Brasil é comandado por Lula”. Não é não. O Brasil é presidido por Lula, o que é bem diferente. Quem governa o Brasil são as leis. Isso aqui ainda é uma democracia, senhor-tão-amigo-da-natureza-que-virei-uma-anta.

Isso é péssimo, pois o assunto merecia uma discussão melhor. E é péssimo para a própria causa de Minc, pois o senado aprovou a regularização das terras, ao contrário que queria o Minc. É o que acontece quando se é um idiota completo, um estúpido de primeira grandeza: perde-se, perde-se e perde-se. Se não se entende como funciona o jogo, se não se sai de sua ideologiazinha em que se auto-diviniza e se demoniza os adversários, em direção a complexidade da realidade, ao fato dos dois lados possuírem suas razões, que o assunto deve ser devidamente discutido e analisado, é óbvio que o sonhador seguirá seu caminho distraído até bater com o nariz num poste ou despencar num abismo.

E o elogio a quem merece, ainda que elogiar político é pedir pra queimar a língua. Num governo de idiotas, para idiotas e pelos idiotas, o simples bom senso brilha como o Sol. Se hoje a decisão de quem botar na presidência do país coubesse apenas a mim, seríamos governados pela senadora Kátia Abreu dos Democratas. Não acompanho assim o noticiário, mas ela sempre parece estar no lugar certo, com o discurso certo. Não foi diferente agora. Num discurso que vi pela tv ela nos disse que se Minc saísse do governo não se sentiria falta dele, mas que se o setor agropecuário abandonasse o país estaríamos todos lascados.

Eis o simples bom-senso que no meio de tanta idiotice fica até parecendo algo genial. Eis uma pessoa que entendeu o papel do político numa democracia-liberal. Sua função é a de representante, não a de comandante, como imagina o pobre do Minc. Não é que Minc ou Kátia Abreu sejam menos importantes que o setor agropecuário ou qualquer outro agrupamento social. É simplesmente que a importância que Minc e Kátia Abreu possuem derivam única e exclusivamente do setor agropecuário ou de um outro grupo social. Sem a importância do representado por trás, eles não são mais que simples cidadãos, ou, se com algum poder, tiranos. Portanto, um ataque contra a natureza de um grupo social da importância dos agropecuários é simplesmente uma má compreensão do papel do político, do papel do povo, do papel da democracia.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Arg... A última idiotice proferida por esse ser lulesco que governa o país (sério mesmo, acho que faríamos mais negócio se uma lula de verdade governasse esse país) não é só uma palhaçada, uma estupidez, mas é mesmo algo nojento, repugnante. Ainda bem que o Reinaldo já tratou do tema, porque essa declaração é daquelas que se ficamos muito tempo debruçados sobre ela, escrevendo um texto sobre, o fedor desprendido de sua podridão moral seria capaz de fazer qualquer um ter uma crise convulsiva seguida de vômito e paralisia das funções vitais. Segue texto do Reinaldo de Azevedo:



“ 'Um país que acha petróleo a 6 mil metros de profundidade pode achar um avião a 2 mil'.

"Quem disse a pérola acima? Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo, lá da cidade da Guatemala. Como se vê, aproveita-se de uma tragédia para fazer uma peroração nacionalista.

"Daqui a pouco, Lula vai se jactar do fato de que nenhum outro país gasta tanto dinheiro como o Brasil para combater a dengue. Não sei se vocês atentam para a ironia da coisa. Ele já se orgulha de o Bolsa Família crescer em vez de diminuir. Assim, quanto mais dengue e mais miséria, mais Lula estufa o peito. Eis um homem que vê nas tragédias uma janela de oportunidades. Santo Deus!

" 'Ah, mas a sua popularidade é de 180% segundo o Instituto DataEstupidus…' E daí? Isso não faz de um erro um acerto. A frase é de um oportunismo asqueroso e vulgar.

" Assim como ele gosta de sujar a mão de óleo em plataforma da Petrobras, deveria ir lá imprimir as digitais nos destroços: 'Nunca antes nestepaiz se cuidou tão bem de uma tragédia aérea'.

"Se Lula não existisse, não precisaria ser inventado".

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vamos ao trabalho. Isso não tem fim. Todo dia aparece petista dizendo abobrinha. Ocorreu hoje no Piauí. Uma barragem se rompeu e destruiu um vilarejo matando sete pessoas. O governador Wellington Dias, do PT, colocou a culpa no aquecimento global. “Não pode ser normal chover 149 milímetros em algumas horas quando a média anual nessa região é de 700 milímetros” disse o infeliz.

Meu Deus, que preguiça. Mas isso tem que ser combatido, pois é uma idiotice freqüentemente proferida.

Quem fala uma merda dessa, assim para todo mundo ouvir, não é apenas um idiota, mas sofre de algum tipo de perturbação mental e de charlatanismo congênito e incurável. Daqui a pouco aparecerá alguém dizendo algo como “Os mais velhos hão de lembrar, na década de 70, antes do aquecimento global, a temperatura era sempre constante. Fazia vinte e cinco graus todos os dias, todas as horas, a todo momento. Mais ainda, caia uma chuvinha fina, constante e eterna, pois a chuva também era sempre constante e média. Foi o Aquecimento Global que inventou as variações de temperatura! Depois esses malditos-capitalistas-que-querem-destruir-o-mundo inventou que havia variação de temperatura desde sempre. Livros como “Vidas Secas” e “O Quinze” são farsas montadas na década de noventa, pois não havia antes da década de 70 fenômenos como a seca! Não havia irregularidades climáticas! Também é farsa a tese de que a Terra passou por períodos conhecidos como era do gelo! Dançando na chuva é uma montagem mal-feita! Todo mundo sabe disso!”

Na boa, vão catar coquinho.

Qualquer ser minimamente inteligente sabe que irregularidades no clima sempre existiram. Assim sendo, uma pessoa séria e que acredite na tese do aquecimento global antropogênico, deverá sempre se perguntar diante de um evento climático anormal, como, por exemplo, essas chuvas da região norte-nordeste: será que este é um evento causado pelo aquecimento global ou será que não tem nenhuma relação?

Bem, assim seria o caso se o aquecimento global antropogênico fosse uma tese científica. Mas o aquecimento global antropogênico não é uma tese científica. É uma tese meramente política. Chega-se a essa conclusão ao observar casos como esses. Se a tese do aquecimento global antropogênico fosse científica, quando um político qualquer falasse uma merda dessas, a comunidade científica iria chiar: “Por acaso, doutor Wellington, o senhor é um cientista e a gente não sabia? Mostre-nos seus artigos científicos. Como chegou a essa conclusão, assim, de maneira tão inequívoca, de que essas chuvas tem como causa o aquecimento global?”

É engraçado, quando digo que não creio na tese do aquecimento global antropogênico, as pessoas me olham estranho, como se eu fosse um inimigo da humanidade e comentam invariavelmente “Você está falando merda. Você não é cientista. Com que autoridade pode criticá-la?.”Deixo para lá o fato de que vários cientistas negam o aquecimento global antropogênico. O que acho engraçado é que eu não posso dar minha singela opinião sobre a farsa do aquecimento global numa mesa de bar, mas um idiota como esse governador retapanguas do Piauí fala uma merda dessas na imprensa, depois de uma tragédia, e não aparece ninguém para perguntar: “você por acaso é um cientista? Então cale essa maldita boca!”

E os cientistas não aparecem por uma única razão. É do interesse deles que suas teses caiam assim no gosto popular a ponto de idiotas depravados acharem super cool e intelectual praticarem essa meteorologia selvagem. E é do interesse deles porque não estão interessados na verdade nem na ciência, pois, se estivessem, essa meteorologia selvagem seria prejudicial a suas teses. É do interesse deles, pois isso convém ao seu projeto político.

Enquanto isso a diretora da Empergi nos informa que a represa tinha “seis fissuras em suas paredes que todos os anos eram preenchidas com concreto”.

O aquecimento global é bom porque isenta os políticos da responsabilidade, mas é melhor ainda porque transfere essa mesma responsabilidade para algo intangível. Afinal de contas, o que o governador do Piauí pode fazer quanto ao aquecimento global, não é mesmo? Já quanto às fissuras na parede de uma represa... Essas coisas concretas, antigamente, eram o trabalho e a preocupação dos políticos. Hoje em dia eles existem para palpitar sobre coisas que estão completamente além de sua capacidade.

Melhores Álbuns - 1970




Ah! O álcool! Esse grande benfeitor, esse grande amigo da humanidade. Bebendo-o abaixamos nossas exigências, tanto em relação ao outros como com nós mesmos, e isso permite uma socialização melhor, mais azeitada, maior diversão. Este álbum é o Velvet durante uma boa noite de biritinha. Lembro-me que talvez a maior decepção musical que tive foi ao ouvir o primeiro disco do Velvet, aquele da famosa capa com a banana de 67. Esperava muito e no entanto achei-o sem sal, chato, construído a base da inteligência fria, sem emoção alguma para ser uma boa banda de rock. É até hoje minha impressão dessa banda tão aclamada por todos. Esse álbum, no entanto, me faz ver que o errado na história sou eu e não o mundo (o que é um fato bem estranho e peculiar, não acham?). Uma banda capaz de fabricar essa maravilha não pode ser ruim como acho. Mas talvez seja só umas biritinhas a mais que eles tomaram. Na verdade havia uma intenção declarada de fazer um álbum carregado de sucessos radiofônicos (daí seu título). Conseguiram. Em suma, é um álbum feliz, sem grandes expectativas e pretensões intelectuais, provando que poderiam fazer muito bem o que a malta queria, sem se venderem no processo. Destaque para as três canções iniciais: Who loves the sun, Sweet Jane e Rock & Roll, e também para a última: Oh! Sweet Nuthin.