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segunda-feira, 26 de maio de 2008

Uma das heranças totalitárias que a esquerda democrática recebeu da esquerda tout court é a crença inabalável de que eles representam o futuro. Se você está do lado certo da história, sabe o caminho em que ela deve percorrer, claro, você tem direito de usar alguns truques sujos, até mesmo o dever de usá-los, pois nisso está sua superioridade moral. Com os outros, porém, tais truques sujos seriam provas cabais da inferioridade moral deles. É por isso que os esquerdistas arrancarão o cabelo com uma eleição do Maluf, mas se alguém tocar na questão da corrupção do governo Lula, então dirão que todos governantes roubam, que Lula rouba, mas distribui renda. Justamente o ponto mais controverso do comunismo, a idéia de um fim da história, é das teorias mais resistentes a cair. Não à toa eles são os progressistas e nós os reacionários. Observem um esquerdista falar da atual configuração política da América Latina. Os olhos brilham, até baba, o povo finalmente evoluiu! Aprendeu a votar! Entendeu o futuro! Rompeu com o passado, com o que estava aí há quintos anos, a mesmice! Curioso, muito curioso, é que nos países desenvolvidos cada vez mais é a direita que avança. Que aquecimento global que nada! Pessimismo é achar que a América Latina é o futuro dos atrasados europeus e norte-americanos.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Conversando com o presidente

- A gente não pode permitir que um companheiro da qualidade do Cid seja mostrado a nível nacional apenas porque atendeu a um pedido da mulher para levar sua mãe. Sei o que é isso e você tem a minha solidariedade.

- Concordo, senhor presidente. Pura perseguição. Minha mãe vive pedindo para o meu pai “Benzinho, leva minha mãe na a Feira de Artesanato”, “Leva a gente (minha mãe, tias, vovó – vejam bem, muito mais pessoas que o governador do Ceará) ali no shopping”. E meu pai sempre leva. Que mal tem? Fico me perguntando, isso é crime? Em que parte do código civil está escrito que não se deve levar a sogra da gente para dar um passeio? Poxa, isso aí é pura discriminação com a sogra.

-Certamente se, em vez de sua sogra, você tivesse levado um empresário no avião, não teria tido problemas.

- Poxa, presidente, não vamos exagerar. Imagine se você chegar um dia em casa e dona Marisa toda sorridente lhe pede para levar um empresário para casa dele? Estranho né? Você tem que perguntar quem é o empresário, que ele estava fazendo sozinho na casa com a excelentíssima. Já pensou, depois o cara está comendo a patroa, e você ainda dando carona para o filho da mãe? Garanto que se você der carona para o dono da Ricardo Eletro falarão muito mais que esse caso aí.

- o que estou dizendo é que as pessoas [os jornalistas] precisam dar a informação e deixar o povo julgar. (...) O que eu acho estranho é que poder-se-ia ter dado a notícia: a sogra do governador viajou com ele. Não. Fazem disso uma tese".

- Ah! Isso eu também concordo. Onde já se viu jornalista ter opinião? E o pior, querer transmitir sua opinião para o público? Isso é um absurdo! E digo mais, senhor presidente. Temos que controlar a informação também. Vai que algum jornalista mais espertinho queira passar informações como o fato de ser crime o uso da máquina pública para favorecer particulares? Temos que ser espertos, presidente. Esse povo da mídea é muito folgado.

- "[não é correto o Estado] aparecer cinco dias consecutivos na televisão por causa da sua sogra". (...) “Tem coisa muito mais importante - não que a sogra não seja importante - que você faz e que nunca apareceu nacionalmente”.

(Aplausos) – Agora o senhor disse tudo. A imprensa só quer saber do lado negativo dos políticos, não dá nenhuma forcinha para gente. Por exemplo, o Hitler. Todo mundo fala de holocausto, não sei mais o quê. Por que ninguém lembra que ele consertou a economia alemã, acabou com a hiperinflação? A mídea é assim mesmo, senhor presidente. O único jeito é arrumar uma maneira de controlá-la melhor.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

"O único candidato aqui com uma bota maior que a minha é a Maria Elvira".

Não queria lhes assustar, mas daqui a pouco começará o horário político. Por mim, que não vejo televisão e nem tenho rádio, tudo bem. Problemático seria se o youtube fosse obrigado a passar dois minutinhos de horário político antes de qualquer vídeo. Cale a boca, João. Não dê idéia errada. Enfim. O problema do horário político é que quando um político resolve fazer um ataque pessoal já vem logo pessoas chorando, dizendo que quer um debate de alto nível, com idéias, propostas, que não quer baixaria na TV... Não querem baixaria na TV! Que tipo de pessoa não quer baixaria na TV?, é mais ou menos como não querer queijo num misto. Meu Deus, como enrolo para chegar no essencial!, e o essencial é que no Brasil campanhas com propostas positivas é só um desfile de tautologias. Basta tentar contradizer o que os políticos dizem para ver. Eles falarão coisas como “Quero uma educação melhor” ou “Mais segurança para nossos cidadãos”. Não sabia que havia políticos defendendo uma educação pior ou menos segurança para os cidadãos. Simplesmente não há debate, temas polêmicos são cuidadosamente evitados, pois estes dividem o eleitorado e os programas são feitos para arrebanhar eleitores, não para perdê-los. Por essa razão dirão “quero uma educação melhor”, mas dificilmente (a menos que alguma pesquise indique que pelo menos 90% do eleitorado concorde com a idéia) “quero o fim da escola plural” ou “menos verba para o ensino superior e mais verba para o ensino básico”. O único momento onde a modorra é interrompida e alguma informação é passada é nos ataques pessoais. Ali ficamos sabendo das maracutaias em que tal candidato já esteve envolvido, de que crimes civis ele é acusado, se é mentiroso, autoritário, frouxo, inexperiente, atleticano e essas coisas difamatórias. É muito mais interessante, informativo e útil para o eleitorado decidir.