domingo, 27 de julho de 2008

É só reclamar da musa que ela logo vem, montada num cavalo. E o cavalo no caso é o último post de minha amiga Ana Carolina chamado Liberdade Difamada. No melhor estilo Reinaldão, proponho um vermelho e azul com ela.


Não há conceito mais difamado que o de liberdade. Ela é evocada pelos motoristas que querem beber e dirigir, apesar da nova lei. É evocada pelos publicitários e outros profissionais da mídia que criticam a censura e limitação de idade de suas produções...

Sim, também a evoco nesses casos. Não tenho carteira, nem sou um profissional da mídia.



O problema é que liberdade surge pra dar um espaço pro indivíduo, mas eles acabam se esquecendo de que ainda assim eles não estão isolados. Pedem liberdade pra agir e esquecem que há outros envolvidos em suas ações.


Nada está isolado. Indivíduos, coisas ou ações. Se fossemos usar isso como princípio então não teríamos liberdade para ação alguma. Quando vou à rua surrupio o direito das pessoas de ocuparem o lugar que ocupo. Assim, não haver terceiros que acabem por estar envolvidos em minha ação não pode ser condição para minha liberdade, pois do contrário não haveria espaço para a liberdade.


Por pior que seja, quem pede liberdade deve lembrar que limite é uma necessidade da primeira.



Disso não podemos fugir. De fato são necessários limites para a liberdade individual. A questão é: quais?



Do contrário, o que vc evoca pra si, pode tb ser evocado pelo outro. Se formos disputar na força quem cosnegue mais privilégios - esse se torna o termo - a liberdade volta a ser ameaçada.



Agora sim, bem melhor formulado. Em poucas palavras uma síntese do que seria a lei moral e a liberdade kantianas. Posso concordar com isso. Mas lastimo dizer que disto não se segue as conclusões abaixo.



Se motoristas querem dirigir bêbados, podem matar. Assim como podem morrer ou perder alguém pela "liberdade" do outro.

Sim, claro. E para isso havia a antiga lei que impunha limites baixos de ingestão de álcool aos motoristas. Essa nova lei só servirá para nossos guardas dizerem "Sim, claro, eu também dirijo, sei que uma cervejinha não faz mal algum. Mas, veja bem, para que eu te ajude é preciso que você me ajude, certo?"


Se novelas estúpidas sobre ganância, interesse e sexo são abertas para crianças, pode ser seu próprio conhecido que cresça com valores errados.

Mas quais são os valores errados? É você que determinará os valores certos e os errados? Quem será então? Talvez alguém que compartilhe seus valores. Talvez não. Talvez seja um pastor evangélico proibindo qualquer menção ao ateísmo, catolicismo ou à teoria da evolução. Bem melhor é a maneira como está: os pais decidem o que os filhos podem ver, os pais decidindo quais valores serão passados aos filhos . Se os pais não sabem impor limite aos filhos, será o estado que o fará? Estado não é pai de ninguém, ou ao menos, não deveria ser.

Mas aprender a compartilhar é um exercício que temos tentado há anos e ainda não sabemos fazer bem. Com o surgimento do indivíduo e do privado, confundimos liberdade com onipotência.

É justamente porque o que evoco para mim deve ser evocado para todos que sou contra a lei seca e muito mais contrário ainda a qualquer forma de censura. Se não permito que os outros me censurem não serei eu a censurá-los.

Nenhum comentário: